segunda-feira, 24 de maio de 2010

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Corre, corre, desgraçado, estão quase nos alcançando. Quantas balas você ainda tem na sua 12?
Só mais duas - responde em desespero, olhando a todo momento para trás.
O desespero corre nos olhos, medo.
Em um momento exausto, Pter para de uma vez e coloca a mão na frente de seu companheiro Santos. Pare - resmunga Pter.
Seus olhos azuis, pele pálida, as mãos segurando firme uma 380, com apenas 5 balas, em subto respirar, tenta destinguir o cheiro que passa por seu nariz. São eles - fala baixinho Pter.
Santos em rápido movimento se mantêm em posição de tiro, vasculhando com seus olhos negros o beco fétido e molhado, no qual os dois amigos se encontram.
Dão dois passos a frente, bem devagar, lentamente para não chamar a atenção. Escutasse somente uma gota, não tenho coração mais, o silêncio preocupa.
Pter olha para cima e um vulto vindo em sua direção. Empurra seu amigo Santos, que velocidade extraordinária, com uma de suas mãos e a outra dispara dois tiros em direção ao bicho.
Um tiro acerta o ombro esquerdo do animal, e o outro seu abdômem bem perto do seu umbigo.
Santos com seus olhos esbugalhados, por nunca ter visto tal animal, assustado, trêmulo, mil coisas passam em sua cabeça. Não posso morrer agora, que merda... já estou morto, não posso perder minha existência. Em subto desespero, olhos esbugalhados, sensação de estar suando, parece que meu coração palpita, memórias de uma vida passada, atira em direção a besta. Oito projeteis acerta o peito da besta, ela dá dois passos para trás, uiva, olha os ferimentos, rosna, parece a música do inferno, respira fundo aperta o peito com seus braços para frente, seus músculos parecem saltar do peito e braço. Corre, corre, grita e puxa Santos pelo braço, seu amigo Pter.
Parece nao entender ainda a lei da selva, pobre Santos, aterrorizado, pálido.
A morte ou a vida pós morte tem seus momentos de desespero ... Continua...

domingo, 16 de maio de 2010

Horror

Noite. Frio. Sobretudo para esconder a face, ou para camuflar na noite? Olho para a lua, tento sentir o vento em minha face, a morte tem seus pontos positivos e tantos outros negativos! Como sei que que estava frio, você deve estar se pensando, responderei: olho ao meu redor, e vejo as pessoas tentando se aquecer, os mendigos revirarem em seus trapos ou tentando se esquentar em fogueiras improvisadas, meu cérebro tenta processar tais informações. Meu coração já não bate mais, mas que precisão tenho por tal procedimento de batimentos, o que importa se estou vivo ou se estou morto, isso não importa mais. Que pensamentos confusos aparecem em minha mente, que tortura sinto, deveria sentir isso, medos, anseios, não posso ter mais esses previlégios, tenho que me manter acima da cadeia alimentar, devo me alimentar, hoje e para todo o sempre, doce, quente, excitante nectar dos deuses.
Andar ao luar depois de uma noite de sono, sono esse que pode perdurar por dias e mais dias ou quem sabe por alguns segundos, depende muito se estão ou não atrás da minha pós vida. Devo aprimorar minhas características humanas, humanidade não existe mais em mim, mas sei que vou precisar, para a minha própria sobrevivência. Esses relatos aparecem em minha mente em noites calmas, tantas outras noites de turbulência eu deveria escrever, lembrar ou quem sabe relembrar. Meus olhos estão baixos, meu semblante cansado. Que vida é essa? Muita confusão em minha mente, se você que está ai lendo sobre esse relato, tem soluções ou explicações, tente me explicar, compartilhe comigo algo, diga-me o que devo fazer?

Será que eu devo ter medo? Ódio, algum sentimento agressivo, devo deixar a besta que me remete ao interior sair e me consumir?

Queria sentir o sol na minha face, o orvalho na grama, o frescor de um dia nascendo sobre uma montanha verde, e pássaros a cantar, e o vento. Vem a mim tudo o que for de mim mesmo, vem a mim o que eu mereço vem o que devo perceber. Vou aprimorar minhas característica, já disse isso, mas me repito. A repetição talvez seja um estado ou uma vontade de estar naquilo que tanto digo, mas devo chegar assim um dia ou uma noite quem sabe, vai saber não é mesmo?

Diga-me leitor ou leitora, sentes o mesmo? Vê o mesmo?