quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Pensamentos 4

Estava parado hoje pensado como sempre, ou será pensando que estava pensando? Será que existe isso? Mas me recordo de uma situação que vale a pena ser recordada, o medo de caçar. Temos que sobreviver, isso é fato, mas até onde podemos nos expor para não perder a máscara, sem que ninguém possa nos ver, manter segredo é difícil, ainda mais quando isso pode valer a sua “vida”. Quando a frenesi sobe a sua cabeça, arrebata seu coração, o instinto toma conta de você. Adormece uma besta dentro de você, ela parece te dominar por completo, sede de sangue, vontade de morte, alguém tem que satisfazer a vontade que estou de sangue, maldição, terror, medo. Sair pra caçar, não é nada fácil, escolher alguma presa, que não vai te comprometer, sentir o cheiro do medo, da noite, a luz do luar batendo em sua face, mesmo sabendo que é a luz do sol refletida pela lua, e o gosto, a sede, o sangue descendo a goela, doce na língua, a sustentação do desejo, uma reação em cadeia no corpo inteiro. O conjunto leva a um gozo anestésico cerebral. Tudo esta tão calmo nesse momento, com se existisse somente eu naquele momento, sugando vidas.
Mas quando tudo passa e recobra o racionalismo...

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Pensamentos-3

Deveria rezar e pedir ajuda ao inacreditável. Mas não posso fazer isso. Queima por dentro, mas como pode ser? Mais peças que meu cérebro me prega? Não faço parte da cadeia alimentar, faço parte dos predadores, não sou animal. Pele pálida, olhos ávidos aterrorizam minhas vítimas. Andar sorrateiramente entre minhas presas. Em frente uma vitrine, vejo a face pálida escondida por baixo de um chapéu, escondendo o meu ser sob um sobretudo preto, calca impecável, e um sapato brilhoso, mas sujo com a água fétida do beco. Como posso me esconder? Se não me esconder posso... esquece não devo pensar nisso, devo seguir em frente, devo andar entre os seres animados e inanimados. Sinto cheiro do prazer ao meio de tanta podridão, mas sou assim.
Continua...

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Pensamentos-2

Espero as vezes que não incomode as pessoas a passar, mas como não incomodar, se estou parado em um beco a penumbra? Como dar chance de ver e ser visto? Como fazer amizade, com alguém onde o instinto é maior que a razão? Visualizando comida em potencial, a lei da sobrevivência me acomete certos tipos de erros, e quem sabe de acertos. Acertos nos quais deve ter quase sempre, pois pode me custar...
Sabe nunca nos veremos realmente, posso passar anos e anos, tentando me ver. Alguns conseguem ter uma versão, quem sabe até mesmo inversa, do seu ser, outros possuem a maldição; não podem nem mesmo ter uma idéia invertida do seu ser. Somente quem precede o seu exterior pode olhar aos olhos, e ver a tua face.
Agora sinto minhas pernas mexendo, mas ainda não sinto consciência disso, será por quê? Mas olhando pro chão, sujo, em uma possa de água, vejo minha face pálida, e olhando em meus olhos, parece que visualizei meus pensamentos profundos. Ou será o desespero da besta que habita o meu íntimo? Olhos vermelhos, pele pálida. Mentes desprovidas de conhecimento, ignorantes, comparariam isso à face do demônio, coisa idiota que nem existe. Habita em seus corações, e não na vida real. Se soubessem o que se passa na ausência de luz.
Continua...

Pensamentos-1

Certas vezes me pego estagnado, parado, imóvel, em baixo a um poste com pouquíssima luz, penumbra. A pensar se realmente vale à pena estar vivo, preciso de um motivo para estar ali? Mas a falta de motivos acaba me motivando estar ali parado. Sinto o cheiro do lixo, parece comida azeda, ou será mais um mendigo fétido no final de um beco, misturado a um alagadiço mal cheiroso, verde, azul, qual será a cor? Parede que parecem estar a mil anos, igual a mim mesmo, caindo aos pedaços o reboco, quase não se enxerga a lua, parece ser mais um dia de luz nova, escura como o beco. E os meus pensamentos, onde estão? Que motivos tenho para estar parado? O que devo pensar? Julgar, idealizar, desvendar? Não sei o que devo. Ainda tenho vontade de morrer, mas sei que não posso. Ódio, medo, anseio, sobrancelhas enrugada fechando os olhos, parece que sinto o cheiro de da vontade alheia, vontade essa de sentir o poder de aterrorizar. Devo andar, mas as pernas não se mexem, paralisado, agora me sinto bondoso, sereno, mas ao mesmo tempo frio. Que confusão! Vontade de gritar, e gargalhar, mas não compreendo o que me motiva. Será medo? Mas tenho que ser audacioso, porque a lei da selva de amplexos malignos, ou serenos ósculos de malfazejo em nossa face.
Continua...
J. P. Rosa "Sandro Rosa"

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Neves By Night

Olá, bom noite a todos!