Certas vezes me pego estagnado, parado, imóvel, em baixo a um poste com pouquíssima luz, penumbra. A pensar se realmente vale à pena estar vivo, preciso de um motivo para estar ali? Mas a falta de motivos acaba me motivando estar ali parado. Sinto o cheiro do lixo, parece comida azeda, ou será mais um mendigo fétido no final de um beco, misturado a um alagadiço mal cheiroso, verde, azul, qual será a cor? Parede que parecem estar a mil anos, igual a mim mesmo, caindo aos pedaços o reboco, quase não se enxerga a lua, parece ser mais um dia de luz nova, escura como o beco. E os meus pensamentos, onde estão? Que motivos tenho para estar parado? O que devo pensar? Julgar, idealizar, desvendar? Não sei o que devo. Ainda tenho vontade de morrer, mas sei que não posso. Ódio, medo, anseio, sobrancelhas enrugada fechando os olhos, parece que sinto o cheiro de da vontade alheia, vontade essa de sentir o poder de aterrorizar. Devo andar, mas as pernas não se mexem, paralisado, agora me sinto bondoso, sereno, mas ao mesmo tempo frio. Que confusão! Vontade de gritar, e gargalhar, mas não compreendo o que me motiva. Será medo? Mas tenho que ser audacioso, porque a lei da selva de amplexos malignos, ou serenos ósculos de malfazejo em nossa face.
Continua...
Continua...
J. P. Rosa "Sandro Rosa"
Nenhum comentário:
Postar um comentário