sábado, 3 de novembro de 2012

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A vida se inicia no escuro, na calmaria e silêncio de um breu que não tem fim.
O feto não precisa usar seus olhos, não vai abri-los, e não entende o que se passa.
Está parado, estagnado, sem precedente, sem pensar, não sabe o que está por vir.
Um escuro sem fim, que logo uma luzinha no final do túnel paira pelo ar, levemente, vagarosamente, quase acariciando seu rostinho, mas essa luz aumenta, machuca seus olhos que nunca foram utilizados, “rasga” as células adentrando em seu corpo. A dor é inevitável, parece que não vai acabar mais, ardor, seu coração palpita e aumenta cada vez mais, parece que vai sair do peito. Mas a luta começa. Uma luta por sobrevivência.
O sofrimento pela luta, toda vida é sofrida, majestosa, contraditória, única. Medos assombram, defeitos apontados, silêncio para refletir. Sinto tanta dor as vezes que parece que não vai acabar. Dor por estar vivo, por respirar, por sangrar. Irritações que não acabam mais, incessantes. E do que mais temo? A Morte. Mas a morte é o mesmo início. Os movimentos se esvairiam, as luzes do final do túnel que antes rasgavam as células, levam ao conforto novamente, vão se encerrando, vagarosamente, lentamente e as luzes se acabando. O escuro mais uma vez aparece e o breu mantêm-se. E tudo paira novamente no escuro que parece eterno. Tudo acabou.

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