quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Acordar da insônia.

Pensou em gritar, chorar, se trancar no quarto o resto do dia, mas ainda era manhã e o sol surgia tímido entre as nuvens cinzas que tornavam o dia mais pesado e mais frio e mais real... nada daria certo hoje, não hoje. Sentia dores no peito, mas não se importava. Tentava abrir os olhos em frente ao espelho, mas não havia imagem, só realidade. Tentou sacudir a cabeça e se livrar daqueles pensamentos, quando sentiu-se tonto e deitou-se novamente em sua cama ainda desarrumada, desalinhada quanto a sua respiração.

A xícara de café ainda estava cheia no criado mudo, tão mudo... não tomara nada que pudesse tirar-lhe o sono, porém, apesar de seus olhos não se abrirem, não dormiu um segundo sequer naquela noite, naquela semana, naquele mês. O mundo não para, pensou enquanto sentia náuseas e o quarto girava em uma velocidade assustadora.

Nãooooooooooo! Acordou gritando e sentando-se na cama. Viu quando sua mulher que dormia ao lado arregalou os olhos, sentou-se, tocou-lhe o rosto suado e deitou-se novamente, olhando-o. Deixou-se cair na cama novamente, nada era real. Vomitou durante aquele dia inteiro, sentiu falta de ar e de noite, tomou café antes de deitar, era mais seguro.

J. MIRANDA

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