sábado, 19 de maio de 2012


Mas Não Sei.



            Dessa vez sinto que não poderia mais escapar do meu destino. Olho a baixo dos meus pés e vejo pessoas passando. São quarenta andares de pura adrenalina, as pessoas que passam são do tamanho de uma formiga. Poderia pisar em várias delas, mas se minha real face fosse divulgada, muitas dessas formigas iriam atrás de mim. Não quero imaginar tantas formigas, minúsculas, me puxando e arrancado pedaços do meu corpo, que já não é mais vivo. Minha alma dilacerada, meu coração já não bate mais. O cheiro que penso sentir deixa-me enjoado. Não como nada há séculos, logo tudo que sinto são meras impressões do tempo. Meu mestre poderia estar do meu lado nesse exato momento, mas são tantos séculos, tantos anos que já se passaram. Dessa vez não são caçadores, bruxas ou lupinos. Dessa vez sou eu mesmo. Sinto me entediado com essa “vida” com essa pós-morte, com essa vida fétida, não sei mais como chamar tal existência. Não como nada há vários anos, não posso beber nada, já perdi as contas de quantos livros li. Livros odiosos que não sabe de verdade alguma, a maioria dos autores desses livros não sabe nada sobre a nossa decepção. Sentimentos misturados, nem sei mais o que é. Penso que objetivos já não se tem mais, não vejo objetivo algum. Brigar com lupinos, bruxas, caçadores ou qualquer outra criatura nessa ridícula vida, não faz sentido algum. Não paro de falar em sentido, não paro de falar em desmotivações e em sentimentos ruins, mas é o que sinto agora, e não paro de sentir. Penso que devo “morrer” com dignidade, ou deixar que me peguem em batalha, mas depois penso em sofrimento desnecessário que vou passar. Mas tantas criaturas gostariam de botar as mãos em mim, e iriam rir, chorar, gritar e se vangloriarem de tal feito. Não posso me entregar de qualquer jeito eu sei disso, mas de que forma seria isso? Não faço a mínima idéia, mas não sei mais o que pensar. Pense por mim, me ajude. Entregar meus irmãos e acabar logo com essa derrota pós-morte. Não posso passar essa desilusão que sinto para os membros de minha família, se é que posso chamar isso de família. É o que mais me parece. Mas não sei mesmo o que é.

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