Se Gritasse...
Se gritasse agora com
certeza não seria de felicidade. Se chorasse agora não seria de alegria. Se sorrisse
agora seria somente pra satisfazer a vontade das pessoas ao meu redor. Se tivesse
alguém do meu lado agora, seria o mesmo que estar sozinho. Não cai uma lágrima,
não sai um sorriso, não falo nada, somente calado.
Mais uma vez fico
imaginando o que deve ser feito nessa vida, o que devo procurar. Alguém, alguma
coisa, um ser, um aperitivo? “Alucinógenos” são usados, para apaziguar essa dor
eterna, essa solidão que não acaba nunca. Dou rizadas para quem? Pra que?
Certa vez um senhor
procurou ajuda, por não entender a vontade que tinha de não mais sair, sorrir,
chorar, multidões ao seu lado e mesmo assim se sentindo sozinho, ninguém consegue
entender, nem mesmo ele conseguiu entender. Era uma dor tão forte que às vezes
ficava paralisado por horas, quando cai em si o dia já quase se acabado.
Procurou um médico e o mesmo entendendo sua situação disse para sair e procurar
se divertir, rir muito. Indicou o circo que estava na cidade, assistir ao palhaço
que fazia as pessoas rirem muito. O senhor disse ao medico que o palhaço era
ele.
Ironia do destino, como
pode alguém fazer pessoas rirem, sorrirem, se sentirem tão felizes e
satisfeitas e como ele mesmo não sentir o que as outras pessoas sentem. Como
oferecer as pessoas, coisas que não pode ser oferecidas a si mesmo. Isso é uma
hipocrisia acidental ou intencional? Não compreendo. Não sei se devo
compreender.
O que move as pessoas são as
perguntas? Tantas perguntas e nenhuma resposta. Não falo de questões espiritas,
emocionais, reais, lógicas, empíricas, não falo de nada disso. Falo de uma
vontade que sai de dentro, das pontas dos dedos dos pés, vai subindo, as pernas
tremem, os joelhos doem as coxas os glúteos contraem, o intestino movimenta e
faz barulho, sobe para o estômago, sinto enjoou, os dentes serram a boca
saliva, às vezes seca, as mãos se fecham, apertam, tudo doe, essa coisa me faz
controlar a respiração, mas quer sair de qualquer jeito, vem subindo a
garganta, quando começa a sair, ela volta... e a volta dói, fere, arde, as mãos
secam. Pés doem esticar e tentar relaxar é uma questão momentânea. Estique seu
corpo todo e logo em seguida está tudo tenso novamente. Tenho que me livrar de
tudo que tenho, parece uma ansiedade de algo novo, até parece que cortinas
novas tampam melhor o dia que esta lá fora. Tampar o dia é o mesmo que tentar
se esconder de si mesmo. Esconder de si mesmo é não saber como lidar com o que
esta lá fora. Tem animais a observarem suas atitudes, e animais gigantescos. O
que vai fazer com eles, deixa-los comer-te, ou comê-los?
Qualquer coisa que vejo,
me atinge, sou alvo fácil de mim mesmo. Uma cena no filme de sangue meu
estômago remexe e às vezes sinto umas fincadas. Meu pescoço não para de dor, e
as dores na cabeça que parecem que estão apertando seus ossos com um torno. Sua
mão permanece serrada o tempo quase todo. Os nervos contraem. Não existe posição
na cadeira que te deixe relaxado. Os sons na rua bombardeiam sua orelha, seu
ouvido dói e o cérebro não organiza tanto barulho. Um alfinete caindo parece
uma orquestra sinfônica. Os sonos não são mais os mesmos. Tudo que acontece
exteriormente atrapalha seu sono, acorda fácil, e às vezes fatos fora dos seus
sonhos misturam, num em enlaceamento de realidade, sonhos e fantasias.
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